Para conhecer a motivação para criação do Wikileaks (na Wikipedia) e parte da cultura
dos hackers, uma boa opção é ler o livro "Underground: tales of hacking, madness
and obsession on the electronic frontier" (PDF grátis, Amazon), escrito por Suelette
Dreyfus, com pesquisa de Julian Assange. Assange é jornalista,
ativista da liberdade de imprensa e hacker na juventude (codinome "Mendax", pelas
atividades do qual Assange
chegou a ser condenado na justiça australiana). Assange é hoje mais
conhecido por ser o criador do Wikileaks(1), criado em
2007, que recentemente publicou milhares de documentos da diplomacia dos
Estados Unidos, evento conhecido como Cable Gate, quando foram
publicados telegramas e mensagens secretas trocadas entre embaixadas e o
governo norte-americano.
O Wikileaks,
por sua vez, é uma organização sem fins lucrativos dedicada a trazer ao público
e à imprensa informações secretas via Web, buscando garantir,
concomitantemente, a segurança e o anonimato das pessoas que são as fontes de
informação. A idéia é tornar públicas informações secretas de instituições como
governos e a igreja, que possam estar ligadas a desvios de conduta, crimes, injustiças,
censura, assassinatos, corrupção, e que tenham importância ética, política, ou
histórica.
Essa justificativa (e talvez parte dos métodos do Wikileaks para conseguir informações) está ligada ao
histórico de vida de Assange,
como ativista político, jornalista e hacker. A história de Assange e do Wikileaks contém vários eventos polêmicos. Por
exemplo, quando o Wikileaks publicou os documentos do Cable Gate,
Assange foi preso por
denúncias de crimes sexuais – Assange garantiu que a
prisão teve motivação político-ideológia devido às ações do Cable Gate–; como reação à prisão, um grupo de hackers
(Anonymous, na Wikipedia) atacou de forma
coordenada sites de empresas que deixaram de oferecer suporte financeiro
ao Wikileaks (e.g., Visa, Paypal) usando o ataque
conhecido como negação de serviço (DoS, do inglês
Denial-of-service). Em outro caso, Daniel Domscheit-Berg,
ex-colaborador de Assange
no Wikileaks, também hacker e
ativista da liberdade de informação, saiu do Wikileaks
acusando o projeto de se afastar de suas motivações originais. Domscheit-Berg então
criou o OpenLeaks (na Wikipedia; críticas
de Berg a Assange), que neste momento ainda não está em operação...
Mas não se deve esquecer que as questões
dos limites éticos, morais e legais das atividades de hackers e da garantia
da liberdade de expressão (freedom of speech)
e acesso à informação vão muito além do Wikileaks.
São questões essenciais para a sociedade humana, para os povos e países, e para
a realização de uma sociedade aberta(2).
Afinal, os funcionários dos
governos podem esconder, manipular e criar informações em nome da democracia e da
defesa do povo ou país, criando fatos e dados falsos para justificar guerras e
invasões? Ou, por outro lado, os governos têm o direito de manter informações
secretas e restritas, a fim de garantir a segurança de seu povo e apoiar a
formulação de suas estratégicas geo-políticas, apesar de possíveis crimes e
desvios de conduta? Afinal, quais informações podem ou não, devem ou não, ser
mantidas em segredo ou divulgas?
Referências adicionais
(1)
Para pesquisas acadêmicas e informações para especialistas em
sistemas e informação: visualização
gráfica de dados sobre o Cable Gate e outros dados; buscas
de “Wikileaks”: Google+“análise
de redes sociais” , Google+”visualização
de dados”, Scholar+”análise
de redes sociais”; info-gráfico
interativo do “The Guardian” sobre a guerra no Afeganistão, onde pode
ser feito download dos dados; como
analisar os dados do Wikileaks com SPARQL; porque não fazer análises dos
dados do Wikilekis/Cable Gates.
(2)
Leia mais sobre sociedade aberta em Noam Chomsky, linguista, filósofo e
ativista político (na Wikpedia,
artigos de Chomsky);
críticas a Chomsky; Chomsky no Google;
idéias
de Chomsky sobre o Wikileaks e no google.