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Nos dias 5 e 6 de outubro de 2010,
aconteceu em Belo Horizonte a 2a Conferência Web W3C
Brasil. A programação envolveu
pessoas do governo, pesquisadores, profissionais do mercado e
membros do W3C. A W3C é responsável
por estabelecer padrões e protocolos para interoperabilidade na
Web.
Obs: a) Este texto oferece uma visão
parcial do evento, com foco nas palestras que assisti, e em temas
de interesse do governo, mas não se restringe a tal público.
Todo o texto foi criado durante o evento, simultaneamente com as
palestras, sendo que os links são caminhos para aprofundamento nos
temas abordados; b) Outro evento importante para pessoas da área
pública é o CONSEGI.
A seguir são destacados assuntos e
palestras de interesse para entidades do governo:
1. Versão em português
do relatório intitulado "Melhorando o acesso ao governo com o
melhor uso da web", elaborado pelo grupo de
interesse em governo eletrônico do W3C Brasil, onde é
oferecida uma visão geral de temas como interoperabilidade no
governo (tema chave no evento e nas iniciativas do W3C), dados
abertos (OpenData) (Open
Government Data na visão do W3C e da Microsoft)
(e.g., iniciativas de dados abertos
do governo norte-americano e do governo inglês, este último desenvolvido
com apoio do W3C e de Tim Berners-Lee, criador da
Web), segurança na autenticação em aplicações Web;
2. Palestra sobre o portal colaborativo de Cultura Digital
do MinC, criado sobre o WordPress (com adaptações, por meio do Projeto
Xemelê, para atender necessidades específicas, como controle de
edição em nível de linha, e não apenas por postagem), onde foram
elaborados, dentre outros vários projetos colaborativos hospedados
no site de redes sociais, o ante-projeto de lei do Marco Civil da Internet no
Brasil e a consulta
pública sobre a Lei de Direitos Autorais;
3. Apresentação da exemplar
iniciativa de transparência e compartilhamento de dados
abertos, inclusive com API para acesso à aplicação, do Tribunal de
Contas dos Municípios do Estado do Ceará (a denominada "apigee" do TCM/CE está
disponível para uso por outros órgãos sob a licença livre e aberta
creative commons;
4. Tutorial sobre criação de
aplicações baseadas em dados abertos usando ontologias (e.g.,
dbpedia, foaf), linked data (apresentação de
Berners-Lee sobre o assunto) e interfaces ricas (foi mostrado
vídeo sobre
aplicação de realidade aumentada para iPhone, com informações sobre
o metrô de Nova Iorque), onde foi apresentado o ciclo de
desenvolvimento d aplicações, que envolve: criação de banco de
dados, ferramentas de publicação de ontologias RDF (e.g, padrão de
metadados do governo eletrônico
e-PMG) e tratamento de dados semânticos (e.g., Freebase GridWorks, apresentado em
vídeo, que foi comprado
pela Google e renomeado para Google Refine,
repositórios RDF (e.g., Sesame, Virtuoso,
Jena) interface e
linguagem de consulta SPARQL (e.g., dbpedia), framework para
manipulação de dados abertos e web sites semânticos com interfaces
de usuário ricas (e.g., EXHIBIT), navegadores
semânticos (e.g., The
Disco);
5.
Cartilha para construção de interfaces de aplicaçôes
acessíveis;
6. Painel de redes sociais e
mobilização, no qual foram destacadas iniciativas como o WiseEarth e o projeto educarede, entre
outros.
No dia 6, as apresentações foram
feitas por palestrantes convidados (keynote speakers),
especificamente:
7. Sérgio Amadeu (Twitter), da UFABC, sobre a
arquitetura e os padrões da Internet e seu impacto para as pessoas,
o governo e as empresas no futuro, especialmente destacando o
aspecto colaborativo, distribuído, e não regulamentado
(com relaçâo ao controle de conteúdo) da Internet. Toda a
apresentação de Amadeu foi demonstar a ameaça atual aos direitos
individuais, à liberdade de expressão e à privacidade das pessoas, sob risco
devido à busca atual do controle da identidade civil dos usuários
conectados a rede a partir de iniciatiivas da indústria cultural
tradicional, a indústria de copyright, e dos governos de
reconquistar o controle das comunicações (e.g., Lei HADOPI, da França,
filtro
e censura de fluxo na Austrália, processos de pirataria contra
criadores do The Pirate Day
na Suécia, projeto
ACTA capitaneado pelos EUA para criar maior controle sobre os
fluxos de dados na Internet,
liberação de tráfego de informações P2P na Espanha em rede como o
BitTorrent e, no Brasil, a iniciativa que
Amadeu chamou de AI 5 Digital, cujo objetivo seria associar o
endereço IP do usuário à identidade civil das pessoas
conectadas). No debate, Amadeu reforçou a mensagem para que as
pessoas colaborem com a defesa da neutralidade da Internet hoje,
para que essa liberdade continue existindo no futuro, e divulgou o
movimento SaveTheInternet;
8. Painel sobre as características da
Web brasileira, com participação de Alexandre Barbosa, do CETIC.br
e NIC.br, Vagner Diniz, do W3C Brasil e CGI.br, Heitor de Souza
Ganzeli, do CEPTRO.br e NIC.br e Wagner Meira Jr. do DCC
UFMG (Twitter)
do DCC UFMG.
Leia mais sobre as ferramentas ' crawlers Wire e
AnaliseWeb usadas para coleta e análise de dados estão disponíveis
para download.
9. Paul Cotton, líder do grupo de trabalho (Working Group) do HTML5 no W3C, e
da
Microsoft, com a palestra intutulada The Next Open Web
Platform. Cotton falou também sobre protocolos e o impacto para as
aplicações mais interativas (ver W3C Web Applications (WebApps)
Working Group), e a experiência única em diversos nagegadores,
vídeos em vários formatos, SVG, CSS, XML, entre outras tecnologias
complementares ao HTML5;
10. Demi Getschko, do
NIC.br;
11. Noshir Contractor, da
Universidade de Northwestern, com a palestra "Network science meets
Web science: the emergence of a multidimensional Web Science" (2
dicas sobre análise de redes sociais: disciplina
Redes Complexas, do professor Virgílio Almeida, do DCC/UFMG;
livro The Social
Atom);
12. Fernanda B. Viégas (Twitter), cujas pesquisas focam a
visualização de
dados publicos por meio da Web, uma das líderes do projeto
The Big
Picture, recentemente contratada pelo Google em Massachusetts,
com palestra intitulada "Visualização pública: transformando o
acesso à informação". Uma das ferramentas que a Viégas apresentou
foi o Web Seer (tente por
exemplo comparar: "como ser" e "como fingir ser" ou "o que elas" e
"o que eles"); outra foi o many-eyes, para
compartilhamento público de visualizações, criado quando a
pesquisadora trabalhava na
IBM, para compartilhamento de visualizações publicamente
(procure por "bovespa
2009", por
"morte nas grandes cidades",
"pesquisa CNT sobre as estradas brasileiras",
"constituicao brasileira",
"os sertões", e o usuário
"crossway" que uso a ferramenta Many-Eyes para analisar redes
sociais da Bíblia, para ver alguns exemplos apresentados por
Viégas; uma outra ferramenta demonstrada foi o IBM
History Flow, capaz de visualizar graficamente o histórico de
edições de artigos na Wikipedia; ainda o Projeto Phrase Net ligado
ao Many-Eyes;
e finalmente o projeto FlashMap, que compara como mulheres
e homens identificam suas áreas do corpo que oferecem maior prazer
e desejo sexual. Viégas citou outros usuários do Many-Eyes (e.g.,
New York Times
Visualization Labs,
Estadão, ). Outro projeto do qual Viégas participa é o projeto
de código aberto TimeFlow. Viégas
terminou a palestra dizendo que vivemos em um momento de
oportunidade onde a visualização de dados está deixando de ser uma
área apenas acadêmica para fazer parte das atividades de um usuário
comum, inclusive com esses usuário podendo criar suas próprias
visualzações por meio de ferramentas disponíveis publicamente como
aquelas que ela apresentou.
A conferência mostrou problemas e
tecnologias que farão parte dos planos diretores de tecnologia da
informação e das soluções de TI para Web no governo nos próximos
anos, oferecendo as bases para interligação de aplicações, dados e
redes sociais na Web.
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