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TV Digital: padrão japonês com inovação brasileira, mas com muita polêmica e interesses envolvidos PDF Imprimir E-mail
Por Renato Fabiano Matheus   
03 de julho de 2006
Agência FAPESP, por Thiago Romero, 3/7/2006: "Após longa espera e muita apreensão, finalmente saiu a decisão. Com a assinatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva [Lula na Wikipedia] no decreto sobre o Sistema Brasileiro de Televisão Digital (SBTVD), em cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília, na quinta-feira (29/6), foi oficializada a escolha do padrão japonês. Perderam os sistemas europeu e norte-americano. De acordo com o decreto, o sistema digital deverá levar no máximo sete anos para chegar a todo o país. O sinal analógico continuará sendo transmitido nos próximos dez anos. O texto estabelece também o uso da tecnologia de modulação japonesa em conjunto com inovações desenvolvidas por pesquisadores brasileiros. “Esses prazos são bem agressivos, mas coerentes. O mais importante é que academia, governo, radiodifusão e indústria conseguiram chegar a um consenso quanto ao padrão a ser adotado”, disse Marcelo Knörich Zuffo (ver sítio pessoal de Zuffo, ou currículo Lattes do pesquisador), professor [do Laboratório de Sistemas Integráveis]do Departamento de Sistemas Eletrônicos da Escola Politécnica (Poli) [EPUSP na Wikipedia] da Universidade de São Paulo (USP), à Agência FAPESP. " (leia notícia completa no sítio da FAPESP)

Mas o decreto causou polêmica na Câmara dos Deputados, como noticiado pela Agência Câmara em 30/6/2006: "A oficialização, pelo Poder Executivo, da escolha do padrão japonês para a implementação da TV Digital no Brasil teve repercussão na Câmara. O decreto de implantação do Sistema Brasileiro de Televisão Digital Terrestre (SBTVD-T) foi assinado ontem, em Brasília. Alguns integrantes da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática estudam meios de contestar o decreto presidencial na Justiça ou de submeter alguns de seus pontos à deliberação do Congresso Nacional." (Notícia Escolha de padrão para TV digital causa polêmica na Câmara, na Agência Câmara) (Veja texto em formato PDF com estudo da Consultoria Legislativa da Câmara dos Deputados)

Segundo o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (http://www.fndc.org.br/internas.php?p=noticias&cont_key=24150) e a Folha de São Paulo (Redes saem vitoriosas com padrão japonês de TV digital; Escolha do padrão japonês pode custar mais para consumidor; especial da Folha Online Dinheiro sobre a TV Digital), a decisão de Lula beneficiaria as grandes concessionárias da radiodifusão no Brasil em detrimento do consumidor-cidadão-eleitor brasileiro. 

Ao mesmo tempo, o "[...] presidente da República [por meio da mensagem (474/06) publicada no Diário Oficial da União], em ato inédito, pediu a devolução dos [225] processos [de concessão de serviços de radiodifusão] ameaçados de rejeição por estarem com documentação incompleta" (notícia completa, do dia 3/7/6, no sítio da Câmara). Em 21/6/2006, a Comissão de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informática havia decidido rever normas para concessões de rádio e TV (notícia completa). A documentação refere-se a certificados de quitação com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e o fisco municipal, estadual e federal.

Além disso, os próprios deputados têm muito interesse nas concessões públicas de serviços de radiodifusão, como comentado em reportagem do Observatório da Imprensa, de 11/10/2005, que comenta modificação na legislação que visa "[...] permitir que deputados e senadores sejam proprietários de jornais, emissoras de rádio e de televisão". (notícia completa)

Notícia da Agência Câmara também sugere que as concessões dadas pelo poder executivo beneficiariam deputados e seriam usadas como moeda de barganha política: "Para o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), há um fato agravante na situação, denunciado no último fim de semana em reportagem da Folha de S.Paulo. A matéria mostra que o Executivo aprovou 110 concessões de rádios e TVs educativas nos últimos três anos e meio. Desse total, pelo menos uma em cada três rádios foram concedidas para fundações ligadas a políticos, algumas delas que só existem no papel. "Pela denúncia do jornal, fica claro que as concessões são utilizadas como troca de apoio entre políticos, que há o uso de concessões como barganha", afirmou Fruet. Segundo o deputado, um grupo de técnicos da comissão vai analisar as concessões denunciadas pelo jornal e averiguar a ligação política e se há concessões para emissoras-fantasmas." (notícia completa pela Agência Câmara

Veja a Lei nº 4.117, de 27 de Agosto de 1962, que institui o atual Código Brasileiro de Telecomunicações (atualizado no sítio da Presidência da República), que pode sofrer modificações com o novo sistema digital.
DECRETO PRESIDENCIAL sobre TV Digital / texto completo:

"Dispõe sobre a implantação do SBTVD-T, estabelece diretrizes para a transição do sistema de transmissão analógica para o sistema de transmissão digital do serviço de radiodifusão de sons e imagens e do serviço de retransmissão de televisão, e dá outras providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso IV, combinado com o art. 223 da Constituição, e tendo em vista o disposto na Lei no 4.117, de 27 de agosto de 1962, e na Lei no 9.472, de 16 de julho de 1997,

D E C R E T A :

Art. 1o Este Decreto dispõe sobre a implantação do Sistema Brasileiro de Televisão Digital Terrestre - SBTVD-T na plataforma de transmissão e retransmissão de sinais de radiodifusão de sons e imagens.

Art. 2o Para os fins deste decreto, entende-se por:
I - SBTVD-T - Sistema Brasileiro de Televisão Digital Terrestre - conjunto de padrões tecnológicos a serem adotados para transmissão e recepção de sinais digitais terrestres de radiodifusão de sons e imagens; e
II - ISDB-T - Integrated Services Digital Broadcasting Terrestrial - serviços integrados de radiodifusão digital terrestre.

Art. 3o As concessionárias e autorizadas do serviço de radiodifusão de sons e imagens e as autorizadas e permissionárias do serviço de retransmissão de televisão adotarão o SBTVD-T, nos termos deste Decreto.

Art. 4o O acesso ao SBTVD-T será assegurado, ao público em geral, de forma livre e gratuita, a fim de garantir o adequado cumprimento das condições de exploração objeto das outorgas.

Art. 5o O SBTVD-T adotará, como base, o padrão de sinais do ISDB-T, incorporando as inovações tecnológicas aprovadas pelo Comitê de Desenvolvimento de que trata o Decreto no 4.901, de 26 de novembro de 2003.

º 1o O Comitê de Desenvolvimento fixará as diretrizes para elaboração das especificações técnicas a serem adotadas no SBTVD-T, inclusive para reconhecimento dos organismos internacionais competentes.

º 2o O Comitê de Desenvolvimento promoverá a criação de um Fórum do SBTVD-T para assessorá-lo acerca de políticas e assuntos técnicos referentes à aprovação de inovações tecnológicas, especificações, desenvolvimento e implantação do SBTVD-T.

º 3o O Fórum do SBTVD-T deverá ser composto, entre outros, por representantes do setor de radiodifusão, do setor industrial e da comunidade científica e tecnológica.

Art. 6o O SBTVD-T possibilitará:
I - transmissão digital em alta definição (HDTV) e em definição padrão (SDTV);
II - transmissão digital simultânea para recepção fixa, móvel e portátil; e
III - interatividade.

Art. 7o Será consignado, às concessionárias e autorizadas de serviço de radiodifusão de sons e imagens, para cada canal outorgado, canal de radiofreqüência com largura de banda de seis megahertz, a fim de permitir a transição para a tecnologia digital sem interrupção da transmissão de sinais analógicos.

º 1o O canal referido no caput somente será consignado às concessionárias e autorizadas cuja exploração do serviço esteja em regularidade com a outorga, observado o estabelecido no Plano Básico de Distribuição de Canais de Televisão Digital - PBTVD.

º 2o A consignação de canais para as autorizadas e permissionárias do serviço de retransmissão de televisão obedecerá aos mesmos critérios referidos no º 1o e, ainda, às condições estabelecidas em norma e cronograma específicos.

Art. 8o O Ministério das Comunicações estabelecerá, no prazo máximo de sessenta dias a partir da publicação deste Decreto, cronograma para a consignação dos canais de transmissão digital.

Parágrafo único. O cronograma a que se refere o caput observará o limite de até sete anos e respeitará a seguinte ordem:
I - estações geradoras de televisão nas Capitais dos Estados e no Distrito Federal;
II - estações geradoras nos demais Municípios;
III - serviços de retransmissão de televisão nas Capitais dos Estados e no Distrito Federal; e
IV - serviços de retransmissão de televisão nos demais Municípios.

Art. 9o A consignação de canais de que trata o art. 7o será disciplinada por instrumento contratual celebrado entre o Ministério das Comunicações e as outorgadas, com cláusulas que estabeleçam ao menos:
I - prazo para utilização plena do canal previsto no caput, sob pena da revogação da consignação prevista; e
II - condições técnicas mínimas para a utilização do canal consignado.

º 1o O Ministério das Comunicações firmará, nos prazos fixados no cronograma referido no art. 8o, os respectivos instrumentos contratuais.

º 2o Celebrado o instrumento contratual a que se refere o caput, a outorgada deverá apresentar ao Ministério das Comunicações, em prazo não superior a seis meses, projeto de instalação da estação transmissora.

º 3o A outorgada deverá iniciar a transmissão digital em prazo não superior a dezoito meses, contados a partir da aprovação do projeto, sob pena de revogação da consignação prevista no art. 7o.

Art. 10. O período de transição do sistema de transmissão analógica para o SBTVD-T será de dez anos, contados a partir da publicação deste Decreto.

º 1o A transmissão digital de sons e imagens incluirá, durante o período de transição, a veiculação simultânea da programação em tecnologia analógica.

º 2o Os canais utilizados para transmissão analógica serão devolvidos à União após o prazo de transição previsto no caput.

Art. 11. A partir de 1o de julho de 2013, o Ministério das Comunicações somente outorgará a exploração do serviço de radiodifusão de sons e imagens para a transmissão em tecnologia digital.

Art. 12. O Ministério das Comunicações deverá consignar, nos Municípios contemplados no PBTVD e nos limites nele estabelecidos, pelo menos quatro canais digitais de radiofreqüência com largura de banda de seis megahertz cada para a exploração direta pela União Federal.

Art. 13. A União poderá explorar o serviço de radiodifusão de sons e imagens em tecnologia digital, observadas as normas de operação compartilhada a serem fixadas pelo Ministério das Comunicações, dentre outros, para transmissão de:
I - Canal do Poder Executivo: para transmissão de atos, trabalhos, projetos, sessões e eventos do Poder Executivo;
II - Canal de Educação: para transmissão destinada ao desenvolvimento e aprimoramento, entre outros, do ensino à distância de alunos e capacitação de professores;
III - Canal de Cultura: para transmissão destinada a produções culturais e programas regionais; e
IV - Canal de Cidadania: para transmissão de programações das comunidades locais, bem como para divulgação de atos, trabalhos, projetos, sessões e eventos dos poderes públicos federal, estadual e municipal.

º 1o O Ministério das Comunicações estimulará a celebração de convênios necessários à viabilização das programações do Canal de Cidadania previsto no inciso IV.

º 2o O Canal de Cidadania poderá oferecer aplicações de serviços públicos de governo eletrônico no âmbito federal, estadual e municipal.

Art. 14. O Ministério das Comunicações expedirá normas complementares necessárias à execução e operacionalização do SBTVD-T.

Art. 15. Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 29 de junho de 2006; 185o da Independência e 118o da República."

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